André Mendonça
Encontro e depoimento de Daniel Vorcaro
No dia 2 de setembro de 2026, foi-se revelado pelo jornalista Paulo Motoryn, em publicação na newsletter Noites Húngaras, na plataforma Substack, a partir de mensagens e áudios extraídos do celular do Daniel Vorcaro, que, em 14 de março de 2025, Mendonça e Vorcaro haviam tido um encontro reservado no Instituto ITER, fundado por Mendonça em 2023, em São Paulo. O encontro foi articulado pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).[1] Nas mensagens divulgadas, Ciro aparece comunicando a Vorcaro, em fevereiro de 2025, que estava com Mendonça e, posteriormente, que o ministro pretendia recebê-lo. Segundo o material divulgado, em uma das mensagens, Ciro enviou a Vorcaro uma fotografia em que aparece ao lado de Mendonça e afirmou que estava "trabalhando" para o banqueiro enquanto acompanhava o ministro a uma alfaiataria.[3] Em uma das mensagens de áudio, o advogado afirmou ter informado Mendonça sobre uma situação relacionada aos problemas enfrentados pelo Banco Master, de Vorcaro, junto ao Banco Central e mencionou que Cezinha também já havia conversado com o ministro sobre o assunto. As mensagens, contudo, não esclarecem o conteúdo específico dessas conversas.[1] Em outro áudio, Ciro afirmou ter deixado o ministro "balançado", de acordo com "Noites Húngaras", após tratar do assunto e relatou a Vorcaro que Mendonça pretendia recebê-lo.[3] Após a divulgação das conversas, o ministro admitiu o encontro, e seu gabinete afirmou que o ele recebera Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do empresário para tratar de assuntos estritamente institucionais relacionados a um processo de precatórios. Afirmou que, na ocasião, Mendonça limitou-se a ouvir as ponderações e, posteriormente, ao julgar o caso no Supremo Tribunal Federal (STF), votou de forma estritamente contrária aos interesses do Banco Master e de Vorcaro, tendo inclusive votado a favor da manutenção da prisão preventiva do empresário em desdobramentos posteriores. Em relação ao episódio da alfaiataria, o ministro apresentou notas fiscais emitidas em nome de sua esposa, Janey Mendonça, totalizando 26 430 reais.[4][5] Ainda em 2 de setembro, o jornal O Globo revelou que, no mês anterior, o gabinete de Mendonça havia recebido Vorcaro para um depoimento, que foi mantido em sigilo. Esteve presente um juiz auxiliar que acompanha o caso, mas não a Polícia Federal (PF), já que o Conselho Nacional de Justiça determina que a equipe responsável pela investigação deve ser afastada desse tipo de oitiva. Após a publicação da matéria, o gabinete do ministro confirmou a ocorrência do depoimento.[6]