Flávio Bolsonaro
Contatos na véspera da prisão de Vorcaro
Nos dias que antecederam a primeira prisão de Daniel Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro de 2025 no contexto das investigações sobre o Banco Master, o senador Flávio Bolsonaro realizou sucessivas tentativas de contato com o banqueiro. Registros extraídos pela Polícia Federal (PF) do aparelho celular de Vorcaro, e publicado pelo Estadão em setembro de 2026, indicam a existência de mensagens de texto, chamadas não atendidas e trocas de áudios entre os dois ao longo dos quatro dias anteriores à operação policial.[2] Em 13 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem solicitando contato telefônico e perguntando se Vorcaro poderia atender a uma ligação. O banqueiro respondeu que retornaria a ligação posteriormente, mas não há registro de conversa telefônica naquele momento. No dia seguinte, 14, o senador efetuou uma chamada de voz não atendida. No dia subsequente, após Vorcaro justificar sua indisponibilidade, Flávio voltou a solicitar contato telefônico.[2] Em 16 de novembro, véspera da prisão do banqueiro, ocorreu nova tentativa de ligação. Vorcaro informou que se encontrava na igreja e que telefonaria posteriormente. Na sequência, Flávio declarou apoio pessoal ao banqueiro e afirmou necessitar de orientação sobre decisões que precisavam ser tomadas. Em mensagem de áudio enviada anteriormente, em 8 de setembro de 2025, o senador havia relatado dificuldades financeiras relacionadas à manutenção de contratos e compromissos profissionais, mencionando a necessidade de recursos para preservar atividades que envolviam atores, diretores e equipes de produção de Dark Horse. Após ouvir o áudio, Vorcaro respondeu que buscaria viabilizar os pagamentos solicitados e afirmou que resolveria a questão no dia seguinte. Em seguida, ambos realizaram uma ligação por WhatsApp, cujo conteúdo não pôde ser recuperado pelos investigadores.[2] As interações ocorreram em um período de crescente pressão institucional sobre o Banco Master. Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central havia reprovado a operação de aquisição da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), encerrando um processo de análise que se estendera por mais de cinco meses.[3] Nas semanas subsequentes, Flávio e Vorcaro continuaram a trocar mensagens, discutir projetos audiovisuais e organizar encontros presenciais.[2] Quando as tentativas de contato se intensificaram, já era de conhecimento público que a Polícia Federal investigava possíveis crimes relacionados à gestão do Banco Master e que havia pressões para a liquidação da instituição financeira. Documentos e anotações encontrados no celular de Vorcaro indicaram que o banqueiro acreditava ser alvo iminente de medidas cautelares e buscava alternativas para deixar o país.[2] Foi então que Flávio indicou que seu irmão Eduardo Bolsonaro poderia viajar, oferecendo ajuda para um encontro nos Emirados Árabes Unidos, para onde Vorcaro iria tentar vender o Banco Master.[4]