Jair Bolsonaro
Pandemia de COVID-19
Desde o início da pandemia de COVID-19 no Brasil, Bolsonaro emitiu várias declarações controversas que vão desde o negacionismo e a omissão do número de mortes alegando que não estão nas proporções cientificamente reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde, até mesmo alegações consideradas pseudocientíficas sobre as medidas de proteção, como o uso de máscara de proteção, o distanciamento social e a bioimunização com uso de vacinas,[1] questionando a sua eficácia[2] e a sua origem chinesa.[3] Bolsonaro também demitiu dois ministros da saúde em menos de um ano por discordar de medidas de distanciamento social e porque eles não defenderam tratamentos sem eficácia comprovada.[4][5][6] Após participar de manifestações a favor de si próprio ocorridas no dia 15 de março de 2020, Bolsonaro disse que, apesar de preocupante, há um "superdimensionamento" e "histeria" em relação à situação do coronavírus. Ele foi criticado por várias autoridades pela atitude de quebrar o isolamento e ir às ruas, que foi chamada de "atentado à saúde pública" por Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, e de comportamento "inconsequente" por Davi Alcolumbre, presidente do Senado.[7] No dia 18 de março, Bolsonaro respondeu às críticas ao dizer: "Eu como chefe do Executivo, o líder maior da nação brasileira, tenho que estar na frente, junto do meu povo. Não se surpreenda se você me ver, nos próximos dias, entrando no metrô lotado em São Paulo (SP), entrando numa barcaça na travessia Rio-Niterói em horário de pico; ou num ônibus em Belo Horizonte (MG)...". Esta postura se evidenciou contrária às recomendações do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que sempre defendeu o isolamento social para evitar o rápido crescimento de casos de infecção pelo vírus[8] e que foi demitido por Bolsonaro por conta disso.[4] Nos dias 17 e 18 de março, ocorreram panelaços contra Bolsonaro em várias capitais brasileiras por conta da postura do governo em relação à pandemia. Houve também, em número bem menor, manifestações favoráveis a Bolsonaro.[9] O ato se repetiu entre os dias 19 e 21 de março. Em pronunciamento no dia 19 de março, disse que os atos fazem parte da "democracia" e que não será uma "gripezinha" que irá derrubá-lo.[10][11] Em duas ocasiões, Bolsonaro também imitou pessoas com falta de ar para fazer referência a pacientes com COVID-19.[12] Em abril, Nelson Teich foi nomeado como novo ministro da Saúde.[13] Em maio, no entanto, Teich pediu demissão do Ministério da Saúde,[14] após ser contrariado por Bolsonaro acerca do uso da cloroquina e de medidas de distanciamento social.[5] Em junho, Bolsonaro voltou a minimizar a gravidade da pandemia e ameaçou sair da Organização Mundial da Saúde (OMS).[15] Em julho, depois de febre, dores musculares e mal-estar, Bolsonaro testou positivo para coronavírus. No entanto, reportou que sua febre haveria diminuído, atribuindo a melhora à hidroxicloroquina.[16] No mesmo mês, exibiu caixa de cloroquina para emas que viviam no Palácio do Alvorada,[17] bem como passeou de motocicleta sem utilizar máscara, conversando com garis, enquanto estava contaminado.[18] Pela sua postura diante do enfrentamento da doença, recebeu junto com outros oito mandatários o Prêmio IgNobel de Ensino de Medicina de 2020, uma condecoração satírica e humorística concedida a descobertas inusitadas.[19] Em dezembro, Bolsonaro, criticando o contrato para aquisição da vacina da Pfizer, afirmou que se a vacina transformasse pessoas em "jacarés" ou "mulheres barbadas", a empresa não teria nenhuma responsabilidade.[20][21] A fala do presidente ganhou repercussão internacional[22] e se tornou alvo de piadas.[23] Em outubro de 2020, após o governador João Doria anunciar uma parceria do Instituto Butantã com a empresa chinesa Sinovac para a produção da Coronavac, uma vacina contra a COVID-19, Bolsonaro obrigou Eduardo Pazuello, a terceira pessoa indicada ao cargo de ministro da Saúde em menos de um ano, a cancelar a compra da vacina no âmbito do governo federal.[24] Bolsonaro criticou a Coronavac reiteradas vezes,[1] questionando sua eficácia[2] e sua origem chinesa,[3] assim como comemorando quando os testes foram suspensos por um breve período em decorrência do suicídio de um dos participantes.[25] Em novembro de 2020, quando o país ultrapassou a marca de 160 mil mortes, Bolsonaro voltou a proferir declarações controversas, ao afirmar que o Brasil "tem que deixar de ser um país de maricas".[26] Em janeiro de 2021, Bolsonaro anunciou que seu governo compraria doses da Coronavac, a despeito de sua intensa campanha contrária ao imunizante.[28] A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a AZD1222 e a Coronavac em 17 de janeiro, no mesmo dia em que foi iniciada a vacinação no Brasil, em uma cerimônia realizada pelo governo de São Paulo.[29] A chegada da vacina da Oxford/AstraZeneca atrasou e,[30] em 18 de janeiro, Bolsonaro classificou a Coronavac como "a vacina do Brasil", revertendo seu rótulo anterior, de que era a "