Nikolas Ferreira
Desinformação sobre o Pix, enfraquecimento de fiscalização e deflagração de esquemas do PCC
Em janeiro de 2025, após publicar um vídeo criticando a nova norma de fiscalização da Receita Federal implementada pelo governo Lula, a qual iria monitorar transações via Pix e cartão de crédito realizadas por fintechs acima de 5 e 15 mil reais, para pessoas físicas e pessoas jurídicas, respectivamente, com intuito de reforçar o combate a operações ilícitas,[1] Nikolas Ferreira alcançou o posto de terceiro vídeo mais assistido da história da internet em apenas 24 horas (excluindo trailers de séries e filmes) naquele momento. O vídeo acumulou um total de 156 milhões de visualizações no período de 24 horas,[2] tornando-se, à época, o terceiro vídeo mais assistido da história do Instagram em 1 dia de lançamento;[3] embora houvesse publicações falsas alegando que o vídeo era o mais visto da plataforma.[4] Ele ficou atrás apenas de um vídeo de pegadinha de 1.º de abril do Discord, que alcançou pouco mais de 628 milhões de visualizações em 24 horas no YouTube,[5] e de um vídeo promocional da Paramount Pictures para divulgar o filme O Chamado 3 que teve 200 milhões de visualizações no Facebook.[6] Segundo o Aos Fatos, o vídeo viral ajudou a impulsionar a desinformação sobre a fiscalização que a Receita Federal iria fazer sobre o PIX, pois era um tópico tendência nas redes sociais.[7] Após a repercussão do vídeo e a consequente desinformação a respeito do supervisionamento, o Governo Federal revogou o ato sobre a fiscalização.[8] A Receita Federal apontou que a revogação da fiscalização enfraqueceu o monitoramento de operações financeiras e favoreceu organizações criminosas, e Robinson Barreirinhas, secretário especial do órgão, declarou que a Receita Federal sofreu "o maior ataque da história": "Publicamos essa instrução em setembro do ano passado [2024], para valer a partir de janeiro. O que aconteceu em janeiro todos nós sabemos. A Receita Federal recebeu o maior ataque da história dela, de mentiras, de fake news, dizendo mentirosamente que aquela instrução normativa tratava de tributação de meios de pagamento".[9][10] Em agosto, a Polícia Federal (PF) deflagrou as operações Carbono Oculto, Quasar e Tank contra um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis e lavagem de dinheiro, revelando que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e empresas do mercado financeiro utilizavam fintechs e transações via PIX para movimentarem e ocultarem grandes quantias. Segundo a investigação, a ausência de fiscalização, potencializada pela desinformação que circulou nas redes sociais sobre a nova norma de fiscalização da Receita Federal que seria implementada no início do ano, mas revogada devido às notícias falsas, facilitou a atuação do grupo criminoso.[11][12] Posteriormente, deputados pediram a investigação de Nikolas pelo vídeo em que criticava a nova fiscalização de movimentações financeiras via Pix.[10] "Essas fake news foram tão fortes, que[,] apesar de todo o esforço da Receita Federal, nós não conseguimos seguir essas mentiras, por conta da força de quem as impulsionava. [...] E as operações de hoje mostram quem ganhou com essas mentiras, com essas fake news". — Robinson Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal.[12]